Produção de Carne Novamente em Alta
Lester R.
Brown
A produção mundial de
carne em 1999 totalizou 217 milhões toneladas, um ganho de apenas 1 porcento
sobre as 215 milhões de toneladas produzidas em 1998. Com a produção
ligeiramente inferior ao crescimento populacional, a produção por pessoa caiu de
36,4 quilos em 1998 para 36,3 quilos em 1999.
O aumento anual da
produção de carne tornou-se uma das tendências mais previsíveis na economia
mundial, tendo aumentado regularmente nos últimos 39 anos, desde
1960.
A carne bovina, que
aumentou pouco durante a década de 90, manteve-se num crescimento lento, em
torno de 0,5 porcento em 1999. Nos Estados Unidos, o principal país produtor,
subiu 2 porcento, de 11,8 milhões para um pouco acima de 12 milhões de
toneladas. No Brasil, o segundo maior produtor, a produção elevou-se de 6,1
milhões para 6,3 milhões de toneladas, ou mais de 3 porcento. Na China, onde a
carne bovina está sendo incentivada pelo governo, a produção teve um acréscimo
de quase 2 porcento.
Na Argentina e Austrália,
dois países com o setor de carne bovina voltado para a exportação, a produção
aumentou em 8 porcento no primeiro e caiu 5 porcento no segundo. A produção na
Rússia, que vem sofrendo queda livre em sua economia desde 1990, caiu 9 porcento
em comparação ao ano anterior.
A produção de carne
suína, fonte principal de carne no mundo, elevou-se em menos de 1 porcento em
1999, subindo de 87,8 milhões para 88,3 milhões de toneladas. Na China, que
domina a economia da carne suína mundial, a produção cresceu em aproximadamente
2 porcento, alcançando 37 milhões de toneladas. Tanto nos Estados Unidos quanto
na União Européia, os outros dois grandes produtores, elevou-se em 1 porcento. A
China e os Estados Unidos [que produz 9 milhões de toneladas] representam
conjuntamente metade da oferta mundial de carne suína.
A produção mundial da
carne ovina, que ocupa um distante quarto lugar no gráfico de produção de
carnes, mal alcançando 11 milhões de toneladas, caiu ligeiramente em 1999. A
produção concentra-se na China, responsável por um quarto do consumo mundial, e
na Austrália e Nova Zelândia. A Nova Zelândia é líder mundial do consumo per
capita anual com 29 quilos, seguida por dois outros países exportadores – a
Austrália, com 18 quilos e a Irlanda, com 9 quilos. A rica Arábia Saudita,
altamente dependente da carne ovina importada, consome 12 quilos por pessoa.
A produção mundial de
aves elevou-se em quase 3 porcento em 1999, continuando a expandir-se mais
rapidamente do que qualquer outra carne. Nos Estados Unidos, principal produtor,
a produção subiu em quase 6 porcento. No segundo maior produtor, a China, o
crescimento recuou para menos de 2 porcento. No Brasil, o terceiro produtor
mundial, a elevação foi de aproximadamente 10 porcento. Os três maiores
produtores – Estados Unidos [16 milhões], China [12 milhões] e Brasil [5
milhões] – representam mais da metade da produção mundial de aves.
A produção mundial de
carnes aumentou de 44 milhões de toneladas em 1950 para 217 milhões de toneladas
em 1999, um aumento quíntuplo. Expandindo em quase duas vezes a taxa de
crescimento populacional, este aumento mais que dobrou a produção mundial per
capita.
Acompanhando esse
crescimento acelerado veio uma mudança dramática no padrão da produção mundial.
Em 1950, a carne bovina era a fonte principal com 19 milhões de toneladas, vindo
em seguida a carne suína com 16 milhões de toneladas, a ovina se distanciando em
terceiro lugar, com 5 milhões de toneladas e as aves com 4 milhões de toneladas.
Hoje, a carne suína surge como líder, principalmente devido ao forte aumento de
produção na China. A carne de aves deslocou-se para o segundo lugar; tendo
ultrapassado a carne bovina em 1995, vem ampliando gradativamente sua margem
desde então. A produção da carne ovina permanece no quarto
lugar.
Os principais
consumidores mundiais de carne são a China e os Estados Unidos. Há vinte anos
atrás, os Estados Unidos lideravam o mundo com uma ampla margem. Todavia, após
as reformas econômicas na China em 1978, a economia chinesa quadruplicou em duas
décadas e a produção de carne disparou. Em 1999, a China já consumia 55 milhões
de toneladas de carne, contra 34 milhões de toneladas nos Estados Unidos. Com a
produção de carnes crescendo mais rapidamente na China do que nos Estados
Unidos, essa margem poderá se alargar ainda mais durante esta
década.
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