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CAFÉ ÉTICO: FÓRMULA PODEROSA PARA SALVAÇÃO DAS
FLORESTAS?
Uma virada global para a produção de café cultivado à sombra pode economizar
quase 10 milhões de hectares de florestas tropicais e oferecer um café mais
saboroso, informa o Pesquisador do WWI-Worldwatch
Institute Brian Halweil. “Café orgânico cultivado à sombra é melhor
para o meio ambiente, melhor para o bolso do agricultor e tem um sabor melhor,”
declara Halweil em seu artigo, “Shade-Grown Coffee – A Winning Fix.”
Algumas das principais marcas hoje oferecem café “ético,” triplamente
certificado como orgânico, cultivado à sombra e comercializado de forma justa.
“Cultivado adequadamente, o café pode se tornar uma das raras indústrias
humanas que efetivamente recuperam a saúde da Terra,” diz Halweil. Nas últimas
décadas, porém, mais de 40 porcento da área destinada ao cultivo de café na
Colômbia, México, América Central e Caribe foi convertido para cultivo a céu
aberto. Embora esta conversão possibilite uma maior produção por hectare,
destrói a floresta tropical e desperdiça muitos dos benefícios naturais do
cultivo à sombra. O ganho econômico inicial é, na melhor das hipóteses, de
curto prazo.
O café cultivado sob a copa de uma floresta tropical requer menos
pesticidas, menos adubo químico e quase nenhuma água de irrigação, reduzindo
desta forma as despesas do agricultor. O agricultor também aufere outros
ganhos. Por exemplo, em fazendas de café sombreado no Peru, os agricultores
obtêm quase 30 porcento da sua receita da venda de lenha, madeira, frutas,
plantas medicinais e outros produtos naturais cultivados juntamente com o café.
Quando as fazendas sombreadas são convertidas para o cultivo a céu aberto, a
diversidade e quantidade de organismos na área despencam, declara Halweil. A
floresta tropical perde a capacidade de seqüestrar carbono e proteger os
recursos de água doce.
Os apreciadores de café, também, estão começando a perceber a diferença:
cafés cultivados à sombra ganham hoje um número desproporcional de competições
mundiais de degustação e obtêm ágio nos preços.
Perda de habitat, caça e poluição estão impelindo mais de mil espécies
de aves à beira da extinção, declara Howard Youth no artigo “The
Plight of Birds.” O enfrentamento dos problemas que ameaçam as aves também
resguardará o futuro dos seres humanos que dependem delas para os serviços
naturais essenciais.
O uso contínuo do pesticida tóxico DDT, proibido na maioria dos países,
não conterá a disseminação dos mosquitos portadores do vírus da malária, de
acordo com “Malaria, Mosquitoes and DDT.” A pesquisadora Anne Platt
McGinn informa sobre a disponibilidade de alternativas de baixo custo, e menos
tóxicas, para o combate à malária que mata cerca de 3 milhões de pessoas
anualmente (aproximadamente o mesmo número que o HIV/AIDS). “Há razões
suficientes para acreditar que o avanço contra a doença é compatível com a
redução do uso do DDT,” diz McGinn. Mosquiteiros tratados com o inseticida, uma
medida preventiva eficaz contra a malária, ainda são inacessíveis para muitas
pessoas nas áreas mais fortemente afetadas pela doença. McGinn sugere acabar
com impostos e tarifas sobre os mosquiteiros e os pesticidas aplicados. Também
recomenda incorporar a educação e prevenção da malária nos programas existentes
de saúde, e incluir os esforços de prevenção da malária em outros programas,
como os de irrigação e campanhas contra a pobreza.
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