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ANTÔNIO ERMÍRIO DE
MORAES
Uma oportunidade a ser
enfrentada!
A entrada da China na Organização Mundial do Comércio constitui a
abertura de um mercado gigantesco, que tem de alimentar 1,3 bilhão de
pessoas. Está aí uma grande oportunidade para o Brasil dobrar ou triplicar
as suas exportações de alimentos. Os problemas da China são
gravíssimos. A água e as terras cultiváveis estão cada vez mais escassas.
Para ter uma idéia, o lençol freático dos arredores de Beijing perde um
metro de água por ano! Isso é desesperador. O país está reduzindo 850 mil
hectares de cultivo anualmente. A pouca água e terra existentes é
disputada pela agricultura, pela indústria, pela construção de estradas e
conjuntos habitacionais e por outros empreendimentos. As chances de a
China elevar a produtividade da agricultura nessas condições são
pequenas. Ao mesmo tempo, a população cresce 15 milhões por ano! O país
terá 1,6 bilhão de habitantes em 2030. A renda per capita está subindo
aceleradamente. Em consequência, as dietas estão incluindo mais carnes,
ovos e leite -o que depende de grãos. Dentro de pouco tempo, a China
precisará importar cerca de 300 milhões de toneladas de grãos por ano, o
que é muito mais do que a soma das exportações de grãos do mundo inteiro
(Lester Brown, "The State of the World", Nova York, 1993). Apesar de
sério, o problema da China terá de ser resolvido. A última fome que abateu
o país foi nos anos de 1959 a 1961, dizimando 30 milhões de
chineses. Se algo semelhante vier a ocorrer nos dias atuais, a
instabilidade social e política será severa, razão pela qual a questão da
alimentação é tratada pelo governo chinês dentro do capítulo da segurança
nacional. A se manter o alto crescimento econômico que marcou a China
nos últimos 15 anos, o país terá divisas para pagar gigantescas
importações de alimentos. Mas quem vai alimentar a China? O Brasil é um
candidato natural. Poucos países têm as extensões de terra cultiváveis que
nós temos. Raros contam com a quantidade de sol e água existente no
Brasil. Poucos dominaram o cerrado como nós dominamos para plantar trigo,
arroz, frutas, soja e outras leguminosas. Além disso, o Brasil tem
avançado muito na produtividade da agricultura, da avicultura e da
pecuária, o que nos torna um produtor e exportador de grande escala para
ajudar a resolver o problema da China. E não só o da China, pois o Japão
importa 77% dos grãos que consome; Taiwan, 67%; a Coréia do Sul, 64%. A
implantação de uma política bem pensada no campo dos alimentos,
incluindo-se a remoção dos empecilhos da infra-estrutura e do abominável
custo Brasil, podem gerar uma imensa quantidade de empregos e aliviar
significativamente a pressão cambial. Trata-se de uma oportunidade de
ouro. Repetindo, não nos faltam terras agricultáveis, muito sol e água.
Nesse campo, não dependemos de ninguém para melhorar as condições sociais
dos brasileiros. Tudo isso pode ser realizado por meio do trabalho
organizado e de exportações bem-feitas.
Antônio Ermírio de Moraes escreve aos domingos nesta
coluna.
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