São Paulo, 5 de junho de 2001
- O apagão é uma ótima oportunidade para que o Brasil diversifique sua
matriz energética e adote de vez a energia solar fotovoltaica e a eólica.
Nenhum modelo de geração cresce tanto no mundo, mas sua expansão é tímida
no País. O diagnóstico é feito por Christopher Flavin, presidente do WORLDWATCH Institute, centro de pesquisas
norte-americano que mapeia as grandes tendências socioambientais e
econômicas do planeta. Christopher Flavin também coordena a equipe de
clima e energia da instituição e fundou o Business Council for Sustainable
Energy (Conselho Empresarial para a Sustentabilidade
Energética).
No mundo, a
energia eólica cresceu 25,1% ao ano durante a última década. A solar
fotovoltaica, 20,1%. O gás natural, apenas 1,6%, e o petróleo, 1,2%. 'O
Brasil, que já é tão rico em energias renováveis, tem de aproveitar para
ampliar sua base de investimentos',
diz.
'Deve, também, observar
os europeus, que desenvolveram mecanismos para aprovar vários projetos
alternativos de pequeno porte em bloco.' Ele cita o caso da Alemanha, que
estabelece preços fixos de remuneração para a aquisição de energia e que
adotou uma lei que determina tarifas mais favoráveis para as geradoras
eólicas ou solares. 'Graças a um modelo parecido, a Dinamarca tornou 15%
de sua geração eólica.'
Para o
pesquisador, há um outro lado que deve ser motivo de atenção. Segundo ele,
os brasileiros também devem tomar cuidado com as conseqüências perversas
do racionamento. 'Na Califórnia, a falta de energia promoveu um aumento
dos investimentos em células a combustível - que permite gerar luz com
hidrogênio - e tecnologias limpas', diz. 'Mas também criou pressão pelo
relaxamento das leis ambientais e uma disparada das vendas de geradores a
diesel, bastante poluentes.' Flavin veio ao Brasil para apoiar um programa
de educação ambiental que está sendo lançado pelo Ministério da Educação.
(Gazeta Mercantil/Página A6) (Regina Scharf)
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